Sexta-feira, Setembro 22, 2006
De máscara
É engraçado como ainda me surpreendo com as pessoas. Confesso que até tento acreditar que os outros têm de algo de bom e agem sem interesses escusos, mas a realidade nua e crua evidencia as máscaras utilizadas. Uns se fazem de bonzinhos e tripudiam por trás, outros bancam o lobo em pele de cordeiro e alguns são falsos ao mesmo tempo que aparentam ser honestos.
A vida deve ser isso, viver de máscara mesmo.
De máscara
É engraçado como ainda me surpreendo com as pessoas. Confesso que até tento acreditar que os outros têm de algo de bom e agem sem interesses escusos, mas a realidade nua e crua evidencia as máscaras utilizadas. Uns se fazem de bonzinhos e tripudiam por trás, outros bancam o lobo em pele de cordeiro e alguns são falsos ao mesmo tempo que aparentam ser honestos.
A vida deve ser isso, viver de máscara mesmo.
Domingo, Setembro 17, 2006
Nasci rosca
... e virei piada
Nasci rosca, perdida em uma padaria da Vila Itália, nos confins da cidade. Era segunda-feira, dia 11 de setembro. O dia acabou, ninguém me comprou.
Na terça, voltei pra vitrine, já embalada em plástico. Passei o dia inteiro ali, só algumas moscas olharam pra mim. Será por que fiquei uns cinco minutos a mais no forno e vim meio moreninha? Preconceito.
Quarta passou, quinta chegou e na sexta-feira eu ainda tava ali. Dura, mais que pedra. Completamente esquecido e achando que terminaria no lixo. Logo, entrou um moço, até que boa pinta. Meio sem "pouca telha", confesso. Me pediu pro padeiro.
- Ah, moço não vou te vender ela não. Tá dura, muito dura. Não quero te enganar.
O moço comprou umas geléias e foi embora. Eu fiquei.
Logo depois, entrou uma senhora, meio "fofinha". Perguntou o que tinha e decidiu por mim.
- Ah, moça não vou te vender não. Tá dura, um moço já quis comprar e disse que não valia a pena.
- Não faz mal, vou levar mesmo assim.
Fiquei exultante. Saí da padoca. Ao chegar na tal festa, uma outra moça com cara de doidinha, jeito de doidinha, papo de doidinha, me pegou e tacou em cima da mesa. Doeu, mas não reclamei.
Outra moça com ares de santa, mas de sorriso falso e aura negra ainda retrucou com ela, que nem deu bola. Outras roscas chegaram. Mais bonitas, fofinhas. Pães, geléias, bolachas. Todas foram saindo, alguém levando e comendo, só eu ficando pra trás. Mais uma vez.
O moço, aquele "destelhado", que quis me levar apareceu uma hora e me reconheceu. Torceu o nariz, pegou um pão de queijo. Me desprezou, ainda espalhou pra todo mundo minha história. Me chamou de velha.
Aí, apareceu um cara com a maior cara de guloso e me cortou ao meio. Vibrei, vou cumprir meu destino, pensei. Que nada! Ele até que tentou umas dentadas, me jogou para uns cães, que até brigaram entre si, mas logo me abandonaram na grama. Parte de mim foi pro lixo.
Horas depois, abandonada na mesa, alguém lembrou da minha história. Virei pop-star. Tiraram foto, discutiram sobre minha história. Vim parar aqui. O meu fim eu não sei, pode ser o lixo, pode ser o estômago de alguém, bicho ou gente. Posso quebrar um dente, não sei. Afinal, nasci rosca, perdida em uma padaria da Vila Itália, nos confins da cidade.
Nasci rosca
... e virei piada
Nasci rosca, perdida em uma padaria da Vila Itália, nos confins da cidade. Era segunda-feira, dia 11 de setembro. O dia acabou, ninguém me comprou.
Na terça, voltei pra vitrine, já embalada em plástico. Passei o dia inteiro ali, só algumas moscas olharam pra mim. Será por que fiquei uns cinco minutos a mais no forno e vim meio moreninha? Preconceito.
Quarta passou, quinta chegou e na sexta-feira eu ainda tava ali. Dura, mais que pedra. Completamente esquecido e achando que terminaria no lixo. Logo, entrou um moço, até que boa pinta. Meio sem "pouca telha", confesso. Me pediu pro padeiro.
- Ah, moço não vou te vender ela não. Tá dura, muito dura. Não quero te enganar.
O moço comprou umas geléias e foi embora. Eu fiquei.
Logo depois, entrou uma senhora, meio "fofinha". Perguntou o que tinha e decidiu por mim.
- Ah, moça não vou te vender não. Tá dura, um moço já quis comprar e disse que não valia a pena.
- Não faz mal, vou levar mesmo assim.
Fiquei exultante. Saí da padoca. Ao chegar na tal festa, uma outra moça com cara de doidinha, jeito de doidinha, papo de doidinha, me pegou e tacou em cima da mesa. Doeu, mas não reclamei.
Outra moça com ares de santa, mas de sorriso falso e aura negra ainda retrucou com ela, que nem deu bola. Outras roscas chegaram. Mais bonitas, fofinhas. Pães, geléias, bolachas. Todas foram saindo, alguém levando e comendo, só eu ficando pra trás. Mais uma vez.
O moço, aquele "destelhado", que quis me levar apareceu uma hora e me reconheceu. Torceu o nariz, pegou um pão de queijo. Me desprezou, ainda espalhou pra todo mundo minha história. Me chamou de velha.
Aí, apareceu um cara com a maior cara de guloso e me cortou ao meio. Vibrei, vou cumprir meu destino, pensei. Que nada! Ele até que tentou umas dentadas, me jogou para uns cães, que até brigaram entre si, mas logo me abandonaram na grama. Parte de mim foi pro lixo.
Horas depois, abandonada na mesa, alguém lembrou da minha história. Virei pop-star. Tiraram foto, discutiram sobre minha história. Vim parar aqui. O meu fim eu não sei, pode ser o lixo, pode ser o estômago de alguém, bicho ou gente. Posso quebrar um dente, não sei. Afinal, nasci rosca, perdida em uma padaria da Vila Itália, nos confins da cidade.